Na última segunda-feira eu fui com minha esposa ao cinema. Era uma promoção: R$2,00 para assistir filmes nacionais. Haviam boas opções de filmes para assistirmos, mas a maioria das sessões já estavam lotadas. Nos sobrou uma das boas opções: o filme “Ensaios da Cegueira“. O filme é muito bom, melhor do que esperávamos. É um filme sem uma nacionalidade definida. Há várias cenas em São Paulo e outras em Montevideo e Canadá, mas a língua do filme é o Inglês o que causa um pouco de estranheza quando as cenas passadas em São Paulo são faladas em Inglês. Resumindo: o filme usa a estória de uma epidemia de cegueira para falar dos dramas da humanidade como a exploração do homem pelo homem, o horror, o amor, o perdão entre outros. Mas enfim, o que quero dizer é que isso coincidiu com alguns pensamentos sobre minha “cegueira” no início de carreira de desenvolvedor de software.
Eu tinha um pouco mais de um ano de experiência em desenvolvimento de aplicações web quando fui trabalhar numa grande companhia de seguros. A equipe estava crescendo e havia muitos projetos e pessoas com grande experiência. Isso era tudo que eu queria: ganhar experiência trabalhando em equipe com tecnologia de ponta e usando as melhores práticas. Bom, na verdade era o que eu esperava que fosse.
Havia muitos projetos de sistemas a serem desenvolvidos. Mais até do que o número de desenvolvedores. O nosso coordenador então coloca cada desenvolvedor para tocar um projeto diferente, pois “todos os projetos são importantes”. Se todos os desenvolvedores tivessem um nível senior ou ao menos pleno isso não seria um grande problema, mas a maioria dos desenvolvedores tinham nível junior como eu na época. Legal. Você pode pensar: “Isso é bom. Você terá a oportunidade de iniciar um sistema do zero e aprenderá muito com isso” ou “Você está num mato sem cachorro. Irá cometer todos os erros que uma pessoa inexperiente pode cometer e sofrerá muito”. Além disso, a tecnologia Java Server Faces estava nascendo e foi a tecnologia escolhida para ser utilizada no projeto. Eu como não tinha opção gosto de desafios, aceitei aprender JSF e desenvolver o sistema. Bom, é aí que entra a cegueira. Eu havia trabalhado com Struts 1, Servlets e JSP no estágio e não tinha idéia de como trabalhar com JSF. Em outras palavras eu não enxergava o caminho para solucionar os meus problemas e sofrí todas as dificuldades que a “cegueira” num assunto nos traz. Demorei muito para evoluir, pois somente tentava seguir exemplos que encontrava na Internet e fiz muita POG pra resolver problemas que eu tinha. O meu grande erro foi partir para a prática sem estudar a teoria antes. Isso é uma coisa que acontece todo momento com muitos profissionais de informática por causa da pressão que alguns impõem e falta de noção de outros que o fazem. Todos saem perdendo com isso. No meu caso eu acho que pelo menos ganhei meu salário experiência.
Hoje, depois de uns 2 anos de sair desse projeto, voltei a trabalhar com JSF com um pouco mais de conhecimento de como as coisas funcionam, mais experiência e com outros desenvolvedores que já trabalham com JSF. No início tive um pouco de receio por se tratar de JSF, pois tive uma má experiência no passado, mas o trabalho rendeu muito mais. As lições aprendidas foram: “Procure sempre ter uma base teórica sobre as ferramentas que você irá trabalhar. Isso não é tempo perdido de forma alguma.” e “Sites na Internet e exemplos ajudam, mas de quase nada servem se você não sabe o que se está fazendo”.
Muitas vezes os desenvolvedores podem sofrer de cegueira e acabar cometendo erros graves assim como já aconteceu comigo. Em cada assunto novo encontrado sempre será como se estivéssemos numa sala escura, sem visão alguma. Podemos ficar tateando as coisas da sala até achar a saída mais próxima ou procurar o interruptor da lâmpada para enxergarmos a melhor saída. Qual você prefere?
17/12/2008 às 21:35 |
“Procure sempre ter uma base teórica sobre as ferramentas que você irá trabalhar. Isso não é tempo perdido de forma alguma.” e “Sites na Internet e exemplos ajudam, mas de quase nada servem se você não sabe o que se está fazendo”.”
Totally. Estou nessa mesma situação… Eu via os códigos e achava que entendia. Hoje eu vejo que tem muita teoria em volta de um determinado assunto.
03/03/2009 às 23:02 |
Valeu por comentar, André!
Um abraço,
03/02/2009 às 20:14 |
Isso é muito comum, principalmente para quem está começando. E se agrava mais ainda quando o desenvolvedor não tem qualquer interesse em entender/aprender sobre os conceitos bases e as motivações do frameworks que está (ou pretende) usando.
Sobre os problemas que você teve ao trabalhar com JSF é mais normal ainda, principalmente por você -como a maioria- ter vindo de um paradigma action-like como Struts.
O importante é ler muito, pesquisar e tentar tirar algumas dúvidas em listas/fóruns de discussão.
Enfim, muito bom o post, e vou tentar assistir ao filme também, fiquei bem curioso sobre o mesmo.
Abraços.
03/03/2009 às 23:03 |
Fala, Rafael!
obrigado!
Abraço,
25/05/2009 às 09:38 |
Aha! Eu assisti ao filme, muito bom mesmo. Cara, foi um prazer te conhecer, espero nos vermos nos próximos eventos.
Abraços e manda um abraço para tua mulher.
Se cuida.